Adeus

Escrevo-te, enquanto procuro alcançar a paz, perdoando-me pelos erros que cometi e perdoando-te teres-me abandonado. Os meus maiores enganos foram não ter dito mais vezes o que sentia por ti, não te ter apertado com a força do sentimento, as horas perdidas com preocupações sem sentido. Está a ser difícil esquecer o nosso último dia, em que te implorei para que não me deixasses, mas que acabaste por ir na mesma. Espero que saibas que foi aqui que terminámos, não em outro dia que te dá mais jeito para te libertares da culpa. Só depois disto estar resolvido de vez é que poderei alcançar a paz que procuro tanto.

Estou a tentar ser um homem diferente, melhor, aprendendo com os erros que tanto me fizeram sofrer. Sei que foi preciso muita força para te suportar naqueles dias que foram tão difíceis para ti, mas espero que saibas que toda a paciência que tive foi um ato de amor. Não vejo essas horas com raiva ou ressentimento, apenas com o carinho de alguém que trata a constipação do parceiro doente. Podia ter sido mais ternurento e sensível, porém tudo o que fiz foi para o teu bem.

Mais do que os momentos que nos separaram, ficou o tempo que nos juntou, as memórias dos passeios pela cidade, a vida que partilhámos em todos aqueles dias e noites de amor puro. A verdade é que foste a única verdadeira relação da minha vida, a única que me fez sentir vivo, com vontade de viver mais. Aquilo que construímos em conjunto é algo que nunca se repetirá, fazem parte de uma época que aconteceu por acaso, como as peças de um relógio que se abanam dentro de uma caixa e, por uma vez sem igual, aparece o relógio montado dentro da caixa.

 

publicado por Dita Dura às 23:08 | link do post | comentar