Tempo

Estas feridas não parecem cicatrizar, há demasiadas coisas que o tempo não consegue apagar. O teu beijo, que me fazia perder no fogo da nossa paixão, o teu abraço, que não me conseguia aproximar o suficiente de ti, o teu sabor, que me mostrava um desejo que não conhecia. A tua pele na minha e o espaço entre nós deixava de existir, o teu peito no meu e o coração explodia, os teus olhos nos meus e o mundo era só nosso.

 

Há tanta gente que julga saber o que é o amor, mas que o deita fora na primeira contrariedade. Eu sei o que é o amor, ainda o sinto depois de tanto tempo, nas pontas dos meus dedos, nas bordas do que sou e do que restou de mim. Depois de tanto tempo, a minha dor ainda é demasiado real. Não estou contigo, mas quando choras, gostava de ser eu a limpar as tuas lágrimas, quando tremes, queria ser eu a lutar contra os teus medos.

 

Hoje sou escravo de um passado onde te deixei sozinha, é algo com que vou ter de viver todos os dias. Ainda vai passar muito mais tempo. Não sei qual foi o momento em que tudo mudou, mas dava tudo para voltar atrás e mudar tudo de volta. Bastou um piscar de olhos para que o meu inferno começasse. E nunca mais terminou.

publicado por Dita Dura às 20:27 | link do post | comentar